Antônio José Lopes Alves
"Entretanto, não obstante seu caráter ineliminável de objetividade, a sociabilidade é, e continua a ser enquanto tal, produto dinâmico da interatividade histórica dos indivíduos. Por esta razão, a sociabilidade capitalista, caracterizada pelo estranhamento acima referido, não é uma forma necessariamente imutável e eterna, mas é também ela uma forma histórica em desaparição. Assim, diz Marx: 'Mas, manifestamente, este processo de inversão é tão-somente necessidade histórica, simples necessidade do desenvolvimento das forças produtivas de um determinado ponto de partida histórico, ou de uma base, mas de modo algum uma necessidade evanescente, e o resultado e o alvo imanentes deste processo são a superação desta base mesma, tanto quanto da forma deste processo'.
Enquanto necessidade evanescente, a forma histórica da sociabilidade do capital é compreendida por Marx ela também como mais uma forma histórica, e portanto superável. Modo societário este, evidentemente, tributário de todo o itinerário complexo e contraditório no qual a individualidade humana está vindo a tornar-se o que é. O processo histórico foi então, ao menos até a forma societária do capital, processo de estranhamento da individuação ou da individuação estranhada, dada a base, as formas primárias da propriedade privada, a partir da qual as comunidades primitivas se dissolveram. A superação da forma do capital significa, textualmente, a abolição daquela referida base. Como este processo poderia se dar? Quais seriam os elementos que tornariam possível uma forma societária de efetiva liberdade individual? E qual seria a natureza desta individualidade e das relações sociais nas quais ela se formaria?"

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