Meu exílio infinito.
No fundo do ínfimo
só saio daqui
por um motivo
nobríssimo
trocar a minha alma
pela História
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Cotidiano
Um céu azul me rasga os olhos da janela do meu quarto.
A literatura:
mil letrinhas que correm e formam palavras,
dão um salto e num instante estão na linha de baixo e formam frases,
de helicóptero elas voam até a outra página...
O cheiro de giz impregna tudo.
Poucos metros quadrados, três, quatro, sei lá...
Coisas até o teto empilhadas ou pelo chão, eu sempre ando tropeçando, mas o chão é de carpete... e o cheiro de giz...
De vez em quando vem uma criancinha que não sabe falar,
tudo é aquele dedinho minúsculo apontado
e gemidos balbuciados,
um rabo de cavalo na ponta da cabeça.
E cabeça lá tem ponta?
A literatura:
mil letrinhas que correm e formam palavras,
dão um salto e num instante estão na linha de baixo e formam frases,
de helicóptero elas voam até a outra página...
O cheiro de giz impregna tudo.
Poucos metros quadrados, três, quatro, sei lá...
Coisas até o teto empilhadas ou pelo chão, eu sempre ando tropeçando, mas o chão é de carpete... e o cheiro de giz...
De vez em quando vem uma criancinha que não sabe falar,
tudo é aquele dedinho minúsculo apontado
e gemidos balbuciados,
um rabo de cavalo na ponta da cabeça.
E cabeça lá tem ponta?
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
retina e retina
De súbito
meu peito é rodeado por braços fortemente armados
de desejo.
A mão
faz nó em meus cabelos
e tira da frente o entrave
que sufoca a nuca
permitindo
que lábios anunciem em meus
ouvidos
a língua confortável que fala o idioma reinventado
que só cabe naquele instante,
a dois.
Pelas costas
desce o sopro quente
num conjunto de
nariz, boca
e dentes que marcam
na pele
as frases não formuladas,
as palavras que não precisam
ser ditas.
O tórax
contraído
por estes braços largos
traz
o languescer da respiração,
lentamente,
imperceptivelmente
como um nascer de flor,
reencaixam-se novamente os corpos
desfazendo e refazendo
o nó
de braços e pernas.
Fixamente olham-se
retina e retina,
e esse olhar cumpre
mais uma vez
o papel das palavras,
anuncia um beijo.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
do jeito que nunca fizemos
ainda penso se
voltarei a ser a menina, companheira e mulher
que te cativava
outrora
se tua retina
percorrerá
meu corpo
nu
se minha boca
conhecerá
a geografia de
tua pele
sob vales e nuances
do mesmo jeito que nunca fizemos
voltarei a ser a menina, companheira e mulher
que te cativava
outrora
se tua retina
percorrerá
meu corpo
nu
se minha boca
conhecerá
a geografia de
tua pele
sob vales e nuances
do mesmo jeito que nunca fizemos
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