segunda-feira, 15 de setembro de 2008

retina e retina

De súbito
meu peito é rodeado por braços fortemente armados
de desejo.
A mão
faz nó em meus cabelos
e tira da frente o entrave
que sufoca a nuca
permitindo
que lábios anunciem em meus
ouvidos
a língua confortável que fala o idioma reinventado
que só cabe naquele instante,
a dois.
Pelas costas
desce o sopro quente
num conjunto de
nariz, boca
e dentes que marcam
na pele
as frases não formuladas,
as palavras que não precisam
ser ditas.
O tórax
contraído
por estes braços largos
traz
o languescer da respiração,
lentamente,
imperceptivelmente
como um nascer de flor,
reencaixam-se novamente os corpos
desfazendo e refazendo
o nó
de braços e pernas.
Fixamente olham-se
retina e retina,
e esse olhar cumpre
mais uma vez
o papel das palavras,
anuncia um beijo.

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