"A questão democrática, da perspectiva do trabalho, e mesmo do prisma de certo liberalismo menos acanhado e superado, não é puramente entendida como a questão relativa às formas de governo, ou melhor, aos modos pelos quais as classes dominantes exercem sua hegemonia. Destes pontos de vista a questão democrática não se esgota nos aparatos institucionais do poder, não é pensada simplesmente como a democracia política, mas implica necessariamente a democracia econômica, a democracia social, a democracia cultural etc. etc., isto é, implica todas as especificidades que compõem a totalidade da vida em sociedade.
Esta é verdadeiramente a questão democrática."
José Chasin
Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Conquistar a Democracia pela Base
"Para a dialética a aparência é um aspecto do real, seu aspecto mais superficial e elementar, a aparência (o que aparece) traduz as relações mais simples do real, é a epiderme que se mostra e que, na maioria das vezes, está em contradição com a essência dos fenômenos. Se assim não fosse, Marx não teria observado que 'Toda ciência seria surpéflua se a aparência das coisas coincidisse diretamente com sua essência' (O Capital).
Impõe-se, consequentemente, ultrapassar o nível das aparências. É o que significa aprofundar dialéticamente a análise. É o que permitirá apreender concretamente a realidade, no processo do conjunto de seus múltiplos fenômenos, identificando, assim, seus fatores estruturais, responsáveis pelos significados decisivos do momento atual. E as próprias aparências poderão, então, revelar seus verdadeiros significados, permitindo, assim, que sejam objetivamente consideradas para efeitos programáticos."
José Chasin - 1977
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
O tempo - Substância do Capitalismo
"Para que a disciplina da empresa continue a pautar os comportamentos fora da empresa é necessário que o ócio dos trabalhadores, bem como as 24 horas dos desempregados, não sejam tempo livre, mas tempo controlado. É necessário que os pensamento não voem, mas sigam trilhas. Este resultado não se obtém apenas através da concentração das indústrias cinematográfica e televisiva num escasso número de mãos, com a conseqüente futilidade de conteúdo das diversões.
Hoje, não é apenas nos níveis econômico e ideológico que os capitalistas controlam os ócios, mas ainda no nível diretamente repressivo. Dentro das empresas, a eletrônica permitiu a fusão do processo de fiscalização com o de trabalho. Esta conjugação, inédita na história da humanidade, ampliou-se à sociedade em geral quando os bancos e as lojas começaram a sujeitar os clientes a formas de vigilância que até então haviam reservado para os assalariados. Depois, o fato de os computadores e outros instrumentos eletrônicos servirem tanto de meio de trabalho como de meio de divertimento permitiu a fiscalização automática dos ócios. Desde as virtuais às palpáveis, não existe hoje nenhuma modalidade urbana de diversão que não seja fiscalizada. Entre o mais intenso dos gestos de trabalho e o mais espreguiçado dos gestos de repouso existe um continnum preenchido pela vigilância eletrônica.
E como as firmas de segurança particulares ultrapassam em verbas e pessoal as polícias oficiais, e como são as próprias empresas quem registra, armazena e seleciona o vastíssimo rastro de informações que cada um de nós deixa ao longo dos nossos lazeres, cabe a elas, e não ao aparelho tradicional de Estado, formar a infra-estrutura repressiva.
Uma tradição muito difundida na extrema-esquerda considera a consciência política passível de ser obtida na passagem da luta contra os patrões para a luta contra os governantes. Mas será possível, nas condições atuais sustentar que o Estado clássico, enquanto órgão de decisões, prevalece sobre as empresas, enquanto instituições dotadas de soberania? Desde a década de 1960 que as movimentações dos trabalhadores ocorridas fora dos quadros sindicais e partidários vêm entendendo que o Estado clássico não é mais o alvo supremo das lutas e considerando a questão da democracia uma necessidade da estrutura interna das próprias organizações de luta. Sem a transformação das relações sociais de trabalho, de modo a pôr fim ao totalitarismo empresarial, é ilusório pretender que a liberdade possa vigorar em qualquer outro domínio."
João Bernardo
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
A Via Colonial : Do Capital Atrófico à Mundialização
"De sorte que, se no Brasil o capital é incompleto, o trabalho também não se integralizou; entretanto, se o primeiro é incompletável, o mesmo não ocorre com o segundo. Mas iniciar sua integralização exige a ultrapassagem do universo teórico do capital e a compreensão de que se trata, não de buscar finalizá-lo, em qualquer nível, mas de principiar sua desmontagem"
Lívia Cotrim
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
A necessidade do controle social
"Outra contradição básica do sistema capitalista de controle é que este não pode separar 'avanço' de destruição, nem 'progresso' de desperdício - ainda que as resultantes sejam catastróficas. Quanto mais o sistema destrava os poderes da produtividade, mais ele libera os poderes da destruição; e quanto mais dilata o volume da produção, tanto mais tem de sepultar tudo sob montanhas de lixo asfixiante. O conceito de economia é radicalmente incompatível com a 'economia' da produção do capital, que necessariamente causa um duplo malefício, primeiro por usar com desperdício voraz os limitados recursos do nosso planeta, o que é posteriormente agravado pela poluição e envenenamento do meio ambiente humano, decorrentes da produção m massa de lixo e efluência. Ironicamente, porém, mais uma vez, o sistema entra em colapso no momento de seu supremo poder; pois sua máxima extensão inevitavelmente gera a necessidade vital de limites e controle consciente, com os quais a produção do capital é estruturalmente incompatível. Por isso o estabelecimento do novo modo de controle social é inseparável da realização dos princípios de uma economia socialista, centrada numa significativa economia da atividade produtiva, pedra angular de uma rica realização humana numa sociedade emancipada das instituições de controle alienadas e reificadas."
Istiván Mészáros
Sábado, 10 de Janeiro de 2009
E eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Qua nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Qua nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você
Vinicius de Moraes e Tom Jobim
Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
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